A preservação da memória cultural e científica do Brasil acaba de ganhar um importante reforço. O Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa do Estado de São Paulo (PAIP), da FAPESP, selecionou 50 projetos para receber investimentos voltados à modernização de acervos. Entre os contemplados estão museus, bibliotecas e instituições acadêmicas que guardam documentos essenciais para a compreensão da sociedade e da arte brasileira.
Foco em acervos e coleções biológicas
Das 50 propostas aprovadas em julho de 2025, 38 são voltadas para a conservação de acervos museológicos e arquivísticos, enquanto 12 focam em coleções biológicas, como herbários e conjuntos de células e tecidos. O suporte financeiro destina-se à compra de equipamentos multiusuários, sistemas de instalação e à contratação de bolsistas de Treinamento Técnico para o manuseio especializado dos itens.
Instituições de destaque no projeto
Instituições de renome como o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), a Fundação Bienal de São Paulo e a Escola Superior de Artes Célia Helena integram o grupo de beneficiados. O objetivo central é transformar coleções vulneráveis ao tempo em estruturas de pesquisa conectadas e acessíveis via plataformas digitais.
- Bienal de São Paulo: Foco na higienização e digitalização da “Coleção Dossiês de Artistas”, que contém mais de 100 mil documentos sobre a história das Bienais.
- MAM: Criação de um “Centro de Documentação e Memória (Cedoc)” para inventariar quase 80 anos de história, incluindo correspondências históricas e registros de arquitetura.
- Escola Superior de Artes Célia Helena: Desenvolvimento do “Portal do Teatro Brasileiro”, visando centralizar o acesso à memória das artes cênicas do país.
Por que a digitalização é essencial?
A iniciativa vai além da simples guarda de objetos. Para pesquisadores e acadêmicos, a digitalização permite identificar lacunas históricas, como a representatividade de grupos sociais, gênero e etnia nos movimentos culturais. Além disso, a estratégia de modernização contempla a preservação de arquivos nativos digitais, como e-mails e registros contemporâneos, que correm o risco de serem perdidos caso não recebam tratamento técnico adequado. Com a criação de bases de dados integradas, o projeto pretende facilitar a colaboração entre instituições que possuem acervos complementares, garantindo que a história do país permaneça viva e disponível para as futuras gerações.
Com informações de Agência SP.

